2025

Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada (todo ano ouço isso na voz de uma mulher sagrada – Gal segue sendo um ritual). Não pensei esse ano assim. O bom é que às vezes a gente só descobre o que quer de verdade quando não acontece o que a gente pensou que ia. Outro dia li isso: “a verdade é um fogo, e dizê-la significa brilhar e queimar”, achei isso tão lindo – quem disse foi Gustav Klimt, alguém que rompeu com algo que não lhe cabia mais pra fazer uma arte nova, meio que ele queimou algo pra tocar sua verdade, eu acho. Espero de mim queimar e brilhar – e lidar com as cinzas que são o preço de tornar-se quem se é (parece que não, mas algumas coisas a gente quer sim deixar pra trás. Outras não. Outras em partes. Cada um é o tipo de fênix que consegue ser, mas que alguma coisa nasce depois das cinzas, nasce. Paga pra ver?). Na minha última sessão de terapia desse ano sai pensando que posso caminhar com calma pelas minhas angústias (ou minhas cinzas?) e não passar correndo por elas – foi Lacan que disse que não se deve compreender muito rápido? Tempo: és um dos deuses mais lindos. Espero também pagar e cometer pecados, sem tanta culpa. Acho a culpa o sentimento mais perigoso que existe. Também acho que amar e mudar as coisas me interessa mais. Tem tanta música nesse texto, mas é porque teve tanta música esse ano.

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