A fogueira para os legumes, na cabana. Eu guardo.

Às vezes brinco comigo e penso: na hora em que eu morrer, qual dia viria na minha mente pra me lembrar, já com saudade, de alguma beleza de ter estado vivo nesse tempo e nessa história?

Nesse dia do video, eu só queria cozinhar nossos legumes no fogo e estar ali, com vocês dois. Cozinhar com fogo, no meio do mato, é um ritual pra me aproximar, com intimidade, da natureza e de alguma ancestralidade boa. Estar com vocês dois é também uma experiência de natureza – lembrar da força natural que é amar. Era um final de tarde meio morno, quase frio – amo finais de tarde, acho que sempre foram as horas em que fui mais feliz na minha infância. A gente tava longe de São Paulo, mas em casa – casa são pessoas e sentimentos, em qualquer chão casa pode nascer. O fogo não parava aceso, você viu um video e deu um jeito. Quantas vezes a gente já deu um jeito? Quantas outras não demos e seguimos um pouco rachados? As rachaduras também guardamos no google drive, junto com todas as memórias e pra onde esse video aqui também vai.

Nesse final de tarde, o celular ficou lá gravando quase 1 hora – porque eu queria guardar esse dia em um formato além do neural. Aqui são segundos recortados dessa memória onde cozinhei e jantamos juntos, na mesa – que como toda mesa, é altar de alguma força natural atemporal, que conecta. Eu amei estar vivo e inteiro nessa tarde.

Talvez na hora em que eu morrer, eu lembre do gosto doce do pimentão assado desse dia, e do Pablito descendo o morro correndo e a gente rindo tanto, sei lá porque.
Mentira, eu sei muito bem porque.

Deixe um comentário